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em inconstante definição.

segunda-feira, março 23, 2015

E agora, um poema:
Quando o Meu Amor Vem Ter Comigo
quando o meu amor vem ter comigo é
um pouco como música,um
pouco mais como uma cor curvando-se(por exemplo
laranja)
                     contra o silêncio,ou a escuridão.... 
a vinda do meu amor emite
um maravilhoso odor no meu pensamento, 
devias ver quando a encontro
como a minha menor pulsação se torna menos.
E então toda a beleza dela é um torno 
cujos quietos lábios me assassinam subitamente, 
mas do meu cadáver a ferramenta o sorriso dela faz algo
subitamente luminoso e preciso 
—e então somos Eu e Ela.... 
o que é isso que o realejo toca 
e. e. cummings
Tradução de Cecília Rego Pinheiro 

Quando o meu amor vem ter comigo é tudo e é como a chuva caindo num chão de pedras. Sem pena. Até acalmar-se. Lavando as folhas, lavando, deixando gotas d'água sonhadoras a suspirar ternos poemas.



terça-feira, setembro 30, 2014

lamentável verdade.





Na vida, prepare-se para

viver sozinho, 
adoecer sozinho e
morrer sozinho.

Isso liberta. E se vier algo a mais, é lucro.

quinta-feira, setembro 25, 2014

domingo, abril 27, 2014





Eu gosto de fotografar plantinhas... Mas dá pra viver disso?Quem estaria interessado em comprar material fotográfico tendo a Botânica como tema?Não custa nada tentar.
Já sei! curso de fotografia na época da copa!Acrescenta aí:

comprar o equipamento (por que começar com o do marido não parece lá muito profissional);

estudar técnicas de fotografia (vou usar uns gatinhos fofos e um certo border collie como modelos, só assim eles demostram alguma utilidade além de requerer minha atenção, além das plantas do jardim);
 
aprender sobre editores de imagem;

associar-me aos bons (tipo The Royal Photografic Society e a um dos clubes sérios de fotografia amadora dessa cidade, um sem muito mimimi);

descobrir um bom lugar para hospedar minhas imagens...essa história de portfólio.

ufa! e se é pra fotografar planta, vou exercitar meus conhecimentos de botânica e classificação taxonômica, enferrujados desde a faculdade.



domingo, maio 05, 2013


"Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesmo de vez em quando numa redoma e poupe-se."

Clarice Lispector... 
Tá, sei do tipo que cita Lispector mas...dane-se!

segunda-feira, março 11, 2013



Ainda tenho gostos estranhos, tudo pouco convencional. Mas você ficaria surpreso com a pessoa aborrecida na qual me tornei...

terça-feira, janeiro 15, 2013

Doce que não te quero mais!
Diabetes...
Cortisol...
#&%%@
acabou a vida de formiga!

terça-feira, janeiro 08, 2013

Poema a Boca Fechada



Poema à Boca Fechada - José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei
Pois que a língua que falo é doutra raça.

Palavras consumidas se acumulam
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vasa de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em me não conhecem.

Nem só lodos a se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quanto me calei,
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Os Poemas Possíveis, 2ª edição, Editorial Caminho, Lisboa, 1982

sexta-feira, agosto 24, 2012

em 30 e poucos dias (estou contando desde 20 de julho)



brigou - foi, na visão da criatura, uma lição de moral- por que deixei meu dinheiro no chão do meu quarto;
escondeu minha aliança;
reclamou intensamente por termos comprado canecas na internet;
disse pra uma amiga dela que pra eu emagrecer só em sonho.
e o de sempre:
xingou diariamente minhas gatas("sai daqui, p#$$@" e coisa assim.) e escuto isso calada...É o primeiro som humano que escuto todas as manhãs.
quis saber quem me liga ou para onde vou.
entrou no meu quarto em busca de não sei o que.
sumiu com as toalhas.
azucrinou meus poucos momento em casa perguntando coisas que não tem nada comigo, eu não mando ou domino ("ele dorme tarde, ele acorda tarde,ele só come besteira, ele não fez a monografia, pensei que ele fosse ser mais esperto e blá,blá,blá!").

Se pra todo mundo eu aconselharia, vai embora, por que não aceito meu próprio conselho?




terça-feira, julho 10, 2012






“Light thinks it travels faster than anything but it is wrong. No  matter how fast light travels, it finds the darkness has always got there first, and is waiting for it.”

                                                                                       Terry Pratchett

sábado, março 17, 2012

coisas que eu queria pra já

saber usar uma furadeira.
ir para a casa dos meus pais.
caminhar na praia.

(Uma prateleira de 1,4 x 0,3 m caiu cima do monitor,deixou o mouse troncho,livros no chão e muita bagunça. Se eu ligo pro cara que a colocou há 2 dias ele vai dizer que foi peso demais.Se peço pro meu marido ele vai torcer a boca e eu odeio coisa de má vontade!)


alguém  tem o telefone do Pereirão?

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Luna, fofa e soneca!





Previsão do tempo para São Luís- MA: pancadas de preguiça e sono durante todo o dia.


A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego! Leminski

segunda-feira, janeiro 02, 2012

sendo assim, é melhor ficar calada...

domingo, outubro 16, 2011


Tu e eu temos de permeio 
a rebeldia que desassossega, 
a matéria compulsiva dos sentidos. 
Que ninguém nos dome, 
que ninguém tente 
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza, 
pois nós temos fôlegos largos 
de vento e de névoa 
para de novo nos erguermos 
e, sobre o desconsolo dos escombros, 
formarmos o salto 
que leva à glória ou à morte, 
conforme a harmonia dos astros 
e a regra elementar do destino. 

José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"
na foto, Lilly, uma das gatinhas que adotamos agora.

quarta-feira, outubro 12, 2011

segunda-feira, agosto 29, 2011

Poxa vida, essa eu quase desisti. Foi só ver esse "passiente"...Daí vem alguém dizer que a taxa de analfabetismo vem diminuindo - engano! agora é uma nova categoria, o analfabetismo funcional. Gente incapaz de entender a trama da novela da globo. Outro dia, levei "O jardineiro fiel" para uns alunos assistirem e as criaturas não entenderam o filme por que os acontecimentos são mostrados em parte na ordem inversa!
O mesmo dono dessa prova escreveu que o sinal de Romaña ( chagoma característico no olho que se apresenta edema inflamatório bipalpebral e unilateral e tem esse nome por conta do pesquisador Cecílio Romaña) era quando o "passiente" estava com leishmaniose e o útero adquiria o formato de romã. Criatividade nota 10 -  mas, quanto a nota da prova...bem é melhor nem comentar.
cansada...
cansando...

segunda-feira, agosto 15, 2011

Casa

Parece casa de filme de terror, né?
Fica na Praia da Pedra do Sal, Parnaíba, Piauí.

O mar e as pedras ficam atrás da casa.
lugar lindo, com potencial turístico, porém tratado com descaso. Numa sexta-feira, o lugar parecia uma cidade fantasma. Gosto de lá, só não acredito nos ETs.

sexta-feira, julho 22, 2011

É espantosa minha falta de capacidade de julgamento em relações familiares. Ou minha excessiva credulidade, preocupação. Ou todo o tempo que perco tentando encontrar soluções para seres alheios ao que vivem, preocupando-me com coisas que eles mesmos deixarão para trás em alguns instantes.

Como tudo começou ou "povo que não conhece sua história.."

quarta-feira, julho 20, 2011

ó que bonitinho esse doodle!
Quanto ouvi falar em Mendel, confesso que foi amor a primeira aula de Biologia. Mas, depois apareceria Morgan e roubaria minha atenção....rs
O saudoso professor Valdir Edson Soares falava dos experimentos de Morgan para do (antigo) 1º ano do 2º grau de tal maneira que realmente fiquei interessada (na época, nem imaginava que faria minhas próprias extrações de DNA...)
.
.
sono
.
.

terça-feira, julho 19, 2011

Os outros - Neil Gaiman



"O tempo é fluido por aqui", disse o demônio.

Soube que era um demônio no momento em que o viu. Ele apenas sabia, assim como tinha consciência de que aquele local era o Inferno. Não havia outra possibilidade de existência para ambos.

A sala era longa, e o demônio o esperava próximo de um braseiro fumegante na ponta oposta. Uma miríade de objetos encontava-se pendurada nas paredes pétreas, sendo que não parecia inteligente ou tentador analisá-los com maior minúcia. O teto era baixo; o chão, estranhamente etéreo.

"Aproxime-se", disse o demônio, e ele obedeceu.

O demônio estava nu e inclinado. Possuía cicatrizes profundas, e sua pele parecia ter sido arrancada à força em algum ponto de seu passado distante. Não possuía orelhas, não possuía sexo. Seus lábios eram finos e austeros, e seus olhos eram verdadeiramente demoníacos: haviam visto demais e ido longe demais; sob seu olhar, o homem se sentia mais insignificante do que um verme.

"O que acontece agora?", perguntou.

"Agora," disse o demônio, em uma voz desprovida de angústia e regozijo, dona unicamente de uma resignação seca e aterrorizante, "você será torturado."

"Até quando?"

O demônio balançou a cabeça e permaneceu em silêncio. Andou devagar, rente à parede, examinando um dos instrumentos pendurados nela, e então outro. Na outra ponta da parede, próxima à porta, jazia um flagelo de nove pontas, feito de arame farpado gasto. O demônio o pegou com a sua mão de três dedos e retornou à outra ponta da sala, carregando-o reverentemente. Colocou as pontas do flagelo no braseiro, e observou-as enquanto começavam a esquentar.

"Isso é desumano."

"Sim."

As pontas do flagelo brilhavam em um laranja mórbido.

Enquanto levantava o braço para desferir o primeiro golpe, afirmou que "Na hora certa, você se recordará desse momento com ternura."

"Mentiroso."

"Não," disse o demônio, "A próxima etapa", explicava enquanto desferia a chicotada, "é pior."

As pontas do flagelo pousaram sobre as costas do homem com um estalo e um chiado, perfurando através das roupas caras, queimando, despedaçando e rasgando a cada golpe e, não pela última vez naquele lugar, arrancando gritos.

Havia duzentos e onze instrumentos nas paredes daquela sala, e era sua sina experimentar cada um deles.

Quando, finalmente, a Filha Lázara - a qual acabou por conhecer de forma íntima - fora limpa e posta na parede no ducentésimo décimo-primeiro suporte, o homem soluçou com seus lábios arruinados: "E agora?"

"Agora," disse o demônio, "a verdadeira dor começa."

E começou.

Cada ato que não deveria ter sido posto em prática. Cada mentira contada - para si, ou para outrem. Cada pequena ferida, e todas as grandes. Tudo fora arrancado de suas entranhas, detalhe por detalhe, lentamente. O demônio destruiu o manto do esquecimento, rasgando-o até a verdade se sobressair, e aquilo doeu mais do que tudo.

"Diga-me o que você sentiu enquanto ela saía pela porta," afirmava o demônio.

"Senti meu coração se estilhaçando."

"Não," afirmou o demônio, sem ódio, "diga-me a verdade."

"Senti alívio, pois a partir de então ela nunca saberia que eu transava com a irmã dela."

O demônio desmanchou a vida de sua vítima momento por momento, relembrando-a de todos os instantes desconfortáveis. Aquilo durou cem anos, talvez mil - ambos tinham todo o tempo do mundo naquela sala cinzenta - e, perto do fim, o homem concluiu que o demônio estava certo: a tortura física fora mais gentil.

E então, a tortura se encerrou.

E, no mesmo momento em que se encerrara, se iniciou novamente. Havia o sentimento de que a primeira vez jamais ocorrera, o que de alguma maneira tornava tudo muito pior em seus olhos.

A partir de então, a cada palavra balbuciada, o ódio do homem em relação a si mesmo aumentava. Não havia dentro de si lugar para mentiras, fugas ou qualquer outro elemento que não fosse a dor e a cólera.

E então, deixou as palavras correrem de sua boca. Parou de derramar lágrimas por elas. Quando decidiu parar, um milênio depois, rezou para que, naquele momento, o demônio se dirigisse à parede e escolhesse a faca de esfolar, ou a mordaça, ou até mesmo os parafusos.

"Mais uma vez," disse o demônio.

Era como descascar uma cebola - mais uma camada que ocultava a vítima era destruída. Desta vez, aprendeu sobre consequências. Aprendeu sobre os resultados daquilo que praticara; tomou consciência de coisas para as quais estava cego ao colocá-las em prática; as maneiras pelas quais tornou o mundo algo pior; os danos causados a pessoas que nunca conhecera, encontrara ou tinha consciência da existência. Fora a mais dura lição até então.

"Mais uma vez," repetiu o demônio, passados mil anos.

A vítima se ajoelhou no chão, em frente ao braseiro, contorcendo-se suavemente de olhos fechados enquanto contava a história de sua vida. Experimentava-a novamente assim que a recontava - do nascimento à morte, com uma fidelidade ímpar à verdade, sem se esquecer de nada e suportando cada momento. Seu coração se abriu.

Quando terminou, sentou-se de olhos fechados, esperando a voz demoníaca dizer "mais uma vez", mas nada aconteceu. Abriu os olhos.

Se levantou devagar. Estava sozinho.

Na outra ponta da sala, havia uma porta. Ela se abriu.

Um homem passou por ela. Havia terror em sua face, bem como arrogância e orgulho. Vestia roupas caras, e hesitou em dar os primeiros passos dentro da sala longa e cinzenta.
Então, compreendeu.

"O tempo é fluido por aqui", disse ao recém chegado.

terça-feira, julho 12, 2011

curtas

Tese entregue.
Impressoras tem vontade própria. Mesmo!
Tenho duas semanas para superar o medo.
Cientistas não gostam de árvores.Minha casa parece a Papelândia.
Pós-graduação não é pra todo mundo. Sabe os dizeres no Portal do Inferno, em Divina Comédia? "Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" = Isso é pós-graduação!
Se eu falasse dos quilos e cabelos brancos a mais e dos amigos a menos isso seria constrangedor!!

terça-feira, julho 05, 2011

UFMA apura denúncia de racismo na instituição

Por Ricardo Valota, do estadão.com.br, estadao.com.br, Atualizado: 5/7/2011 5:26
SÃO PAULO - A administração da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar denúncias, partidas de estudantes do curso de Engenharia Química, sobre atitudes supostamente racistas do professor José Cloves Verde Saraiva contra o africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial.Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal.
Na petição pública feita pelos alunos, eles afirmam: 'Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba humilhando-o na frente de todos os alunos.
Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que 'tirou uma péssima nota'. Por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria 'voltar à África' e que deveria 'clarear a sua cor'.
Em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição 'Está tudo errado' e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega relacionando com o palavrão 'No c.'; disse que o colega é péssimo aluno por que 'somos de mundos diferentes' e que 'aqui, diferente da África, somos civilizados' inclusive perguntando 'Com quantas onças já brigou na África?'.
Nuhu não retruca nenhuma das agressões e está psicologicamente abalado, motivo pelo qual solicitamos que esta instituição tome as providências que a lei requer para o caso'.
O reitor Natalino Salgado afirmou que 'é lamentável a ocorrência de fatos dessa natureza em qualquer instância pedagógica, ainda mais em uma universidade pública, como a UFMA', e que, segundo ele, 'vivencia dias de grandes conquistas no processo de inclusão social e de acordos internacionais que favorecem a mobilidade estudantil, assim como a docente'. 'Temos pautado nosso trabalho no respeito e na dignidade humana; e não partilharemos de atitudes que se caracterizem em retrocesso e vergonha para a nossa sociedade.
Os estrangeiros, assim como todos os outros estudantes, têm o nosso apreço e respeito. Vamos continuar honrando os acordos educacionais e culturais assumidos pela Universidade e pelo Governo Brasileiro com outros países', disse.
Segundo ainda nota divulgada pela reitoria, 'a UFMA disponibiliza anualmente duas vagas de cada curso, no período diurno, para o PEC-G, Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, que oferece oportunidades de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais.
Desenvolvido pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação, em parceria com universidades públicas - federais e estaduais - e particulares, o PEC-G seleciona estrangeiros, entre 18 e 25 anos, com ensino médio completo, para realizar estudos de graduação no país'.
Em retratação pública em relação à interpretação do ocorrido pelos alunos, o professor pediu desculpas. Sobre as denúncias, Cloves afirma que houve um mal entendido, sobre o qual pede desculpas ao estudante Nuhu Ayuba e aos colegas de classe.
'Jamais tive intenção discriminatória, de qualquer espécie, mesmo porque sou, como muitos brasileiros, descendente de africanos, inclusive a minha avó era de Alcântara/MA. Acredito no potencial de todos, e o que exijo como docente é que os estudantes tenham compromisso com o conteúdo da disciplina e com a participação e frequência às aulas', destacou Saraiva.
José Cloves Verde Saraiva, 57, é Professor Associado III, do Departamento de Matemática da UFMA desde março de 1980, após ser aprovado por Concurso Público. Nascido na capital maranhense, Saraiva é Doutor em Matemática pela Universidade de São Paulo.

terça-feira, junho 21, 2011

"Atribui-se a invenção do termômetro ao matemático, físico e astrônomo Italiano Galileu Galilei. Em 1592 usando um tubo invertido, com água e ar, criou uma espécie de termômetro no qual a elevação da pressão exterior fazia com que o ar dilatasse e, em consequência, elevava o nível da água dentro do tubo. Anders Celsius criou uma escala termométrica baseada no valor de evaporação da água e no seu ponto de congelamento, que chamou de 100 e 0 graus. Celsius conseguiu, com a ajuda de Linnaeus, fixar este valor, criando a escala que leva seu nome." Wikipédia

como agora meu corpo resolveu que sou um animal de sangue muito quente- muito 39,2°em média- meu pet predileto é um termômetro digital amarelo. Não vivo mais sem ele. :)

quarta-feira, maio 18, 2011

old entries

Tanta coisa e nenhuma postagem:
Meu fofinho alienware - batizado carinhosamente de Lizard (não The Lizard,  nada a ver com o Curt Connors... é que o troço é reptiliano mesmo).
Game of Thrones:  livro versus série do HBO.
Minha velha camiseta do Lanterna Verde : desaparecida do armário.
A 3ª edição de Deuses Americanos (finalmente!), Neil Gaiman, ed. Conrad.
O lado incômodo, divertido e esquisito de usar uma aliança.
A 9ª Semana de Museus - que ainda não acabou!

domingo, março 27, 2011

terça-feira, março 22, 2011

Regras de vida

Os 7 conselhos de Fernando Pessoa 

1-Não tenhas opiniões firmes nem creia demasiadamente no valor das tuas opiniões
2-Sê tolerante porque não tens certeza de nada
3-Não julgues ninguém,porque não vês os motivos e sim os atos
4-Espera o melhor e prepara-te para o pior
5-Não mates nem estragues porque não sabes o que é a vida,exceto que é um mistério
6-Não queiras reformar nada,porque não sabes a que leis as coisas obedecem
7-Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.


Será?


da revista ÉPOCA, na resenha de Fernando Pessoa, uma quase autobiografia ( José Paulo Cavalcanti, Ed. Record). olha eu aqui fazendo propaganda!!

sábado, março 19, 2011



Será que morrer dói?

quarta-feira, março 09, 2011



prova maior de loucura? Não consigo parar de ouvir meu "rooster alarm".


quero minha mãe...

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Fim de Fevereiro


dente de leão*
Fevereiro arrastou-se.

Nunca vi mês mais longo, passavam tantos dias e quando dei por mim, ainda faltavam duas semanas para terminá-lo.
Hoje, faz um mês que perdi uma amiga, uma mãe-menina com idade de avó. Comíamos caramelos e picolés, fazíamos coisas escondidas, jogávamos pedrinhas, compartilhávamos histórias. Era alguém como poucos. Moleca, a imagem que ficou não foi do corpo estranho que ajudei a vestir e sim do dia - pouco antes de adoecer - que, tendo perdido um jogo no qual ainda tentara "roubar", foi obrigada a dançar bumba-meu-boi para pagar prenda, um vídeo realmente engraçado que gosto de ver para não ficar triste. Ativa e voluntariosa, era alguém que não parecia ter vivido 74 anos e que devia ter ficado comigo um pouco mais.
Entendo pouco de morte, mas ela mudou de significado. Tornou-se a palavra pesada que meu coração de menina desdenhava quando os mais velhos estremeciam à  simples menção. Entendo pouco de morte, já vi tantos bebês e ela foi meu primeiro morto. Ela tinha medo, como mesmo dizia "apenas da hora da passagem". E, foi-se. Eu fiquei aqui, com medo de tudo, de perder quem eu amo, desse ano ruim.
*Dente de Leão: nome vulgar a plantas do gênero Taraxacum. Em alguns lugares do Nordeste,  recebe o nome de esperança: abre as janelas e   deixa a esperança entrar  na tua casa trazida pelo vento da tarde. Foto de não sei aonde, via Google Imagens.

domingo, fevereiro 20, 2011

Innsmouth



"Os velhos telhados e cúpulas da decaída Innsmouth brilhavam adoráveis e etéreos ao má-gico luar amarelado, e imaginei como deviam ter sido nos velhos tempos antes das sombras des-cerem. Depois, correndo o olhar da cidade para o interior, algo menos tranquilizador chamou minha atenção e me paralisou por um segundo."  H. P. Lovecraft

Parece, né?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

segredos

http://riodetudoumpouco.com.br/blog/?p=4120

Há coisas tão ruins,fedem tanto que simplesmente deixam de ter cheiro. Mas podemos vê-las, ouvi-las  e falar sobre elas." O medo é a arma dos fracos (...)" 


Há coisas para as quais não enxergamos respostas. Tampam-nos o sol. São como pedras grandes demais, não há marretas ou explosivos para elas (mas também não posso deixá-las ao sol, para servir de cama aos lagartos).


Há coisas que eu precisava deixar para apenas para as estatísticas.


Uma vez, Aline me disse que não devíamos reclamar tanto: éramos estudantes e nossos únicos problemas se restringiam a dinheiro. Juro que sinto falta desse tempo. Naquele momento, eu não sabia sobre o que a Aline estava falando. Não mesmo.


Há coisas que eu gostaria de ter descoberto mais cedo.

domingo, fevereiro 13, 2011

São Valentim II

Bem , este é o "Valentine's Day card" que fiz pro Igor. Espero que, mesmo nessa maré de tristeza que estamos, amanhã seja um ótimo dia.

São Valentim

Segundo a tradição, São Valentim foi um bispo católico que desobedeceu a um imperador romano. Como? realizando casamentos! O imperador Cláudio II queria aumentar seus exército e o que melhor do que moços solteiros, que não ficariam ansiosos em terminar as campanhas para voltar para casa? Daí, Cláudio proibiu os casamentos (se ele fosse realmente esperto, saberia que melhor do que proibir casamentos seria um pé na bunda coletivo e todos os soldados de coração partido e muita dor de cotovelo nem iam querer voltar para Roma e matariam com gosto tudo que encontrasse pelo caminho). 
São Valentim  discordou das idéias malucas do imperador e continuou a casar os enamorados, por isso foi preso e condenado à morte.
Conta a lenda jovens jogavam flores e bilhetes pelas grades da prisão, para dar-lhe esperanças que o amor prevaleceria. Dizem ainda que a filha do carrasco e ele apaixonaram-se.E ela, que era cega, voltou a enxergar.
São Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 207.

Gosto de histórias de santos católicos. Hoje, descubro que se eu tivesse feito história, estaria mais feliz.
é meninos, não adianta ter saudades do tempo em que o governo proibia casamentos.

14 de fevereiro  é ainda:
a véspera das festas à Juno (deusa romana do matrimônio - uma deusa que não era feliz...rs);
data de festas a Pan (deus da natureza);
celebração de rituais de fertilidade;
e, na tradição medieval, o primeiro dia de acasalamento dos pássaros (quem ficava vendo isso???)

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Canção meio acordada - Mário Quintana

Canção meio acordada

"Laranja! grita o pregoeiro.
Que alto no ar suspensa!
Lua de ouro entre o nevoeiro
Do sono que se esgarçou.
Laranja! grita o pregoeiro.
Laranja que salta e voa.
Laranja que vais rolando
Contra o cristal da manhã!
Mas o cristal da manhã
Fica além dos horizontes...
Tantos montes... tantas pontes...
(De frio soluçam as fontes...)
Porém fiquei, não sei como,
Sob os arcos da manhã.
(Os gatos moles do sono
Rolam Laranjas de lã.)"



Para o Iguinho, que quase não acorda.
Para Hermione, que quase não dorme.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

quarta-feira, janeiro 19, 2011

analfabetismo.é uma das palavras que acho mais feias. signo e significado.construção. sonoridade.tudo. e, tentando atualizar meu smartphone, é isso que sou. apenas isso. e não é nem a atualização em si. é o backup. Sincronização de dados do &*%#§@. maldito mundo digital.tecla esmagada essa em que se bate rumo à enxurrada dolorosa de informações. e cá estamos nós, tentando correr contra o tempo e esquecendo as horas de sono para não ficarmos obsoletos. e  nem precisa ser algo de informática. é no nosso serviçozinhodecadadia mesmo.
pensando bem, algumas das pessoas que mais convivo me acham uma cidadã de segunda categoria por que não faço, não sou formada e nem trabalho com nada que lembre a área de exatas.às vezes irrita. principalmente quando tenho que escutar ” pra que você quer comprar esse notebook se você não vai usar nem 1/5 da capacidade dele”. ou sobre avanços na minha área que ainda estão sendo vislumbrados e a pessoa jura que sabe tudo sobre as eventuais aplicações. ou que na área de saúde tudo é mais fácil, tudo é fácil demais.ou sobre coisas que só estariam na Mundo Estranho. você não leu sobre isso? não, não li. ou explicando coisas que não perguntei (eu sei o que wiki, mesmo!nem todo mundo que não é da área de informática pensa que wiki = wikipédia).
essa história toda me deixa triste. há uma grande amiga a quem prometi “ensinar usar a internet” – até começamos, mas houve uma pausa para que ela fizesse cirurgias oftalmológicas, o que nem aconteceu direito. agora, ela está com leucemia e nesse pouco tempo que resta, nem ler a interessa mais.existe programa de inclusão digital para idosos? eu quero ser voluntária... obviamente se não houver nenhum smartphone por lá. tudo bem, eu fiz o backup.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

se eu pudesse ficar assim ainda hoje!!!
mas amanhã...ah, amanhã...dormirei para acordar nas beirinhas de 2011.

o que eu desejo agora: C-A-L-M-A.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

"morri de febre nas dunas de Cingapura"

domingo, outubro 17, 2010

sexta-feira, outubro 08, 2010

Homem que é Homem - Luís Fernando Veríssimo

Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.

HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.

HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.

E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas.
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Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é HQEH. HQEH não pensa muito!


Situação 1


Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o maîtreestá se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo para saber. 0 prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um "Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode agüentar. Quando vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio. Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro; b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o gerente e é melhor ele vir sozinho!


Situação 2


Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga — se bem que HQEH não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado — a entrar para um curso de Sensitivação Oriental. Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado. Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você, que, como está um pouco fora de forma, só pode sentar na posição do arbusto despencado pelo vento.

Durante 15 minutos todos devem fechar os olhos, juntar as pontas dos dedos e fazer "rom", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibete, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente. Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos. Não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar as suas orelhas com força para lembrá-lo da dualidade de todas as coisas. Durante o "rom" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece a sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser câimbra. Você: a) finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém; b) finge que não entendeu bem as instruções, engatinha fazendo "rom" até o lado daquela grande loura e, na hora de tocar o seu rosto, erra o alvo e agarra os seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque as suas orelhas; c) diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado.


Situação 3


Você está numa daquelas reuniões em que há lugares de sobra para sentar, mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa. Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode. O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho. Aí o cabeleireiro de cabelo mechado ao seu lado oferece:

— Se quiser usar o meu...

— O seu...?

— Joelho.

— Ah...

— Ele está desocupado.

— Mas eu não o conheço.

— Eu apresento. Este é o meu joelho.

— Não. Eu digo, você...

— Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu estivesse oferecendo a perna toda você ia pedir referências. Ti-au.

Você: a) resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças; b) leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária da civilização; ou c) pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.

Se você escolheu a resposta a para todas as situações, não é um HQEH. Se você escolheu a resposta b, não é um HQEH. E se você escolheu a resposta c, também não é um HQEH. Um HQEH não responde a testes. Um HQEH acha que teste é coisa de veado.
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Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin. O que seria deste pais se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou Morte", "Independência ou Alternativa Viável, Levando em Consideração Todas as Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José do Patrocínio de colant? 0 Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só? Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e abriam a braguilha. Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na direção que o pau apontasse. Profissão para um HQEH é motorista de caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier, dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam com o radiador. No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou centroavante. Meio-de-campo é coisa de veado. Mulher do amigo de Homem que é Homem é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa, assim, extraconjugal mas assumida, entende? Que isso é papo de mulher pra dar pra todo mundo. HQEH acha que movimento gay é coisa de veado.

HQEH nunca vai a vernissage.

HQEH não está lendo a Marguerite Yourcenar, não leu a Marguerite Yourcenar e não vai ler a Marguerite Yourcenar.

HQEH diz que não tem preconceito mas que se um dia estivesse numa mesma sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.

Coisas que você jamais encontrará em um HQEH: batom neutro para lábios ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito, o telefone do Gabeira, entradas para um espetáculo de mímica.

Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "Ton sur ton", "Vamos ao balé?", "Prove estas cebolinhas".

Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer: "Assumir", "Amei", "Minha porção mulher", "Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em cima do puf".

Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.

HQEH acha que ainda há tempo de salvar o Brasil e já conseguiu a adesão de todos os Homens que são Homens que restam no país para uma campanha de regeneração do macho brasileiro.

Os quatro só não têm se reunido muito seguidamente porque pode parecer coisa de veado.

Texto extraído do livro "As mentiras que os homens contam, Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 89

pra Leo Frasson, Rodrigo Barroso e todos os trollzinhos que conheço.